quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ares e Apolo

Quando menino, Zeus havia por sonho tinha me avisado:

“Não há nada de errado,
Com que irás escolher.
Mas meu filho,
Tome cuidado
Com destino que queres
Por fim ter.”

Acordei por um enorme clarão no meio da noite,
E Ares mostrou-me portando em uma das suas mãos,
Um presente que faria qualquer mortal,
Brigar com espada e açoite.

“Preste atenção,
Desta dádiva
Muitos mortais adorariam
Apenas sentir a vibração.

Com cordões de lã negra,
Uma caixa de veludo e cetim
Portando pérolas e Ambrósia
E o coração do dragão ”.

Maravilhado por apenas sentir aquela energia,
Me senti em pura euforia,
E descobri que eu não sabia,
O que ele queria me dizer.

E ele com muita destreza,
Pôs em cima de minha mesa,
Um tanto de vinho puro,
E indagou totalmente seguro:

“É essa benção que queres ter?”

Mas a minha casa brilhou como a filha do sol,
E me senti como um peixe no anzol,
Meio que pra morrer.
Então meus olhos viram, o que nunca imaginei ver.

Apolo o deus dourado, veio me oferecer um outro trato.
E totalmente inebriado, ele se pôs a dizer:
“Isso é para poucos. Mortais que viram ficaram loucos.
Espero que você saiba escolher.

Com fios dourados,
Uma caixa bronzeada
Portando ouro e prata
E as asas de um anjo “.

Então sem saber o que dizer,
Me mostrei como menino,
Dizendo que esse insólito,
Havia me pego desprevenido.

Os deuses se entreolharam,
Riram... Gargalharam...
Depois, sérios me falaram,
O que eu temia saber.

“ Mortal, isso é uma bênção.
E pode-se tornar maldição.
Hades adoraria
Em ti por a mão.”

Ao ouvir tais palavras,
Pedia a Atena por minha alma,
E então com muita calma,
Eu me coloquei a pensar.

Decidi como que por um pulo,
Olhei para eles inseguro,
Falei como quem vai morrer:
“É a segunda das caixas que quero ter.”

Ares deu-me uma terrível gargalhada,
Olhou para os céus,
E disse como quem não diz nada,
“Mortal, é pela solidão que vais morrer”.

Apolo deu outra risada,
Se prostrou contra uma bancada,
Colocou a caixa selada,
Dizendo: “Abra quando tiver olhos para ver”.

Então hoje vivo sem nada.
E essa história foi contada,
Para que possas entender
O quão revistas dádivas devem ser.

Peço apenas que não me pergunte nada,
Aprecie a madrugada,
Ela é apenas um bebê.
E sempre, sempre, sempre...

Pense muito bem no que vai escolher.

Um comentário:

  1. Muito perfeito! '' Pense muito bem no que vai escolher.'' Eu precisava dessa hoje. ^^

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