Existe na minha rua um silêncio vertiginoso
Seja lá por qual for o motivo, ela não parece respirar.
A vida não corre pelos vãos, vielas, becos e cruzamentos.
Não há mais cânticos na encruzilhada,
Não sei se por que não é dia, mas madrugada.
Não sei se é por que hoje minha alegria não é dividida.
Não sei se é por que não há autos, e não há escadas
Que possam ranger ou fazer barulho.
Não sei se é por que eu escrevo e eles dormem,
Se pra eles são quatro, mas só me deram duas estações.
Se por que o que é delicioso é também o mais proibido.
O se é por que meu maior refúgio é meu pensamento,
Se é por que minha casa mora dentro de mim.
Se for por que eu não quis e não pude controlar sua vontade,
Já que o seu instinto foi tão poderoso quanto o meu.
Se for por que essa sede é tão insaciável,
Ou por que estão todos cansados.
Se for por que minha fé em alguém é tão facilmente abalável,
Ou o tédio, que é tão sociável.
Não sei qual é a estreita relação entre o não saber,
E o não querer questionar.
Se o medo de machucar alguém, possa por fim me machucar.
Sei somente que essa rua fede a silêncio em pleno carnaval,
E nos vãos, vielas, becos e cruzamentos,
Moram muito mais do que seres esquecidos.
Moram lá, uma revolução de pensamentos.
E aqui dorme tranqüilo, um romântico exasperado.
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