No ponto mais alto do planeta, no lugar onde as trevas jamais tocariam a luz, é a moradia da mulher que colecionava lágrimas. Entre um céu azul e nuvens brancas como papel, está o templo da feiticeira. Cheirando a incenso, ervas, plantas medicinais e alguns tons indescritíveis, com umas músicas delirantes, que mistura um pouco de indianismo, cultura africana e indígena sul-africana. É lá que ela guarda, em uma sala maravilhosamente esculpida, o produto de séculos de trabalho árduo.
Durante a noite, ela vai a terra e se mistura aos mortais para obter a melhor gota de água e sal, que ela procura a anos e nunca conseguiu encontrar. A mais bela, a mais brilhante, um fruto da tristeza de um grande amor, do mais puro coração humano. A lágrima do sétimo filho do sétimo filho. E foi numa dessas viagens por várias terras, onde ela colhia um pouco da tristeza de cada ser humano e também da alegria, que ela encontrou o homem que lhe daria a melhor e mais pura lágrima que precisava. Mas, por infelicidade do acaso, a feiticeira acabou por se apaixonar pelo escolhido. E eles se entregaram durante um mês inteiro, a um amor sem limites, onde um acabou se abraçando a paixão do outro, em uma felicidade plena. E o escolhido havia perdido completamente a noção de quem ela era, e ela havia esquecido qual a verdadeira razão de estar ao lado dele. Até que ela acordou para o que realmente deveria ser feito.
Acabou por tentar feri-lo com a espada, mas ele sabia o que ela queria e não chorou. E ela tentou matar todos os animais de sua fazenda, mas ele não chorou. Ela ameaçou tirar a vida dele, mas ainda assim ele não chorou. Ele a amava profundamente. Mas então ela disse a ele palavras horríveis, que desta vez feriu não só ao corpo dele, mas a alma, a mente, o sentimento. E ele chorou. E quando ficou sozinho, tirou a própria vida manchando com sangue, o recipiente das lágrimas.
Indo embora, a feiticeira encontrou uma das suas irmãs do destino em seu templo, que lendo a mão dela, disse algo que deixou a maga perplexa. Ela poderia ter conseguindo essa lágrima em momentos de felicidade, em uma prova de amor, ou até mesmo no cansaço e no sono. E ela seria feliz para todo o sempre. Mas agora, ela estava destinada a vagar a eternidade, com sua solidão e uma lágrima vermelha encravada no meio de sua testa, para lhe avisar com a clarividência quando seu amado voltaria a terra. E as outras lágrimas caíram por terra, e se tornou o mar, em sinal de amor ao sétimo filho do sétimo filho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário